quarta-feira, 6 de outubro de 2010

COVARDIA DÁ NOJO... (mini conto)


Éramos quatro, um em cada cela, nus, num frio de julho potenciado pelo vento frio que entrava pela fresta, fazia doer os ossos. As mãos agulhavam congeladas, como os pés, pisando o chão de pedra úmido. Três já haviam passado pelas mãos dos torturadores. O último, aterrorizado por ser o próximo à ser arguido, (arguição era senha para a tortura), vomitava e chorava copiosamente dizendo que não ia aguentar, que era um covarde.


Então disse-lhe que; o que fizesse ou dissesse sob tortura nunca seria visto como covardia. Covardia era outra coisa, dava nojo. Um exemplo; COVARDIA - é quando o homem não respeita a palavra do outro; e quando para se esconder das verdades que ela traz, manipula-a ou rasura-a, oculta-a, torna-a ilegível ou a faz desaparecer totalmente levando todas as verdades. Isto é tão verdade, que hoje mesmo vomitei por causa de um covarde... E sei que não será a última. Os covardes procriam-se no lodo e viram uns merdas.

Um comentário:

Elza Fraga disse...

Covardia é isso aí, desse jeitinho mesmo, rsrs.
Eu li, acredito que tenha sido "No Caçador de Pipas", uma frase que me marcou muito. Foi quando o pai diz pro filho que o pior crime que um homem pode cometer é a mentira, pois nos tira o direito de ter a verdade.
Não lembro exatamente como ele diz isso, mas a essência é essa que consegui aspirar e manter como uma das maiores verdades já lida.
E este seu conto me destampou os miolos, puxando esta sensação formigante novamente, sensação de quem entende a verdade como direito, e omissão como covardia.
Bem construido seu conto. Parabéns. Bitokitas plenas de Luz.