
Logo me ambientei, não podia ser diferente, afinal era réveillon, a primeira grande festa do ano.
Desci as escadas do deck, atravessei com dificuldade a areia entre as pessoas, em grupos adorando os orixás, abraçados, casais de lábios colados em longos beijos, até que consegui aproximar-me da água, morna e mansa, deixei que as leves ondas molhassem meus pés, dizem que é bom no primeiro dia do ano. Ali parado, fiquei observando o mar enfeitado por muitas flores brancas entremeadas com amarelas, vermelhas e rosas. Cada cor representando uma direção, agradecimento, um pedido, um desejo. Flores jogadas em oferenda a Grande Mãe D’Água que também agradecida mantinha-as no marulhar das ondas, num efeito misterioso e bonito de se ver.
Subitamente, trazidos por uma onda um pouco mais forte, fui surpreendido saltitando aos meus pés, um enorme cardume. Pequenos peixes prateados davam a ilusão de que a areia estava em movimento. Ajudado pela criançada que fizeram a maior farra, consegui devolve-los todos para o mar, vivos.Instintivamente olhei novamente para o meu relógio, eram cinco e tal. Os minutos e os segundos ficaram fora do meu foco de visão, turvo pelo gás, matéria volátil desprendida do líquido dourado que havia na minha garrafa, e que pendente, jazia clara, translúcida e vazia juntamente com meu braço adormecido.Só ficou a certeza de uma coisa. Dizem que peixe é sinal de fartura, e eles vieram a mim no primeiro dia. Devolvi-os ao habitat porque quero sim, fartura. Mas uma fartura viva, para mim e para todos.
ANTOLOGIA DE CONTOS FANTÁSTICOS -14° Vol.Poema: “O mar está pra peixe, feliz Ano Novo”07/2008 - CBJE
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